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Web Pixel , Studio Criativo

Quanto custa criar um aplicativo

Marcelo França
Por Marcelo França
Web Designer e Desenvolvedor ·
Mão segurando um celular com o painel de um aplicativo aberto na tela, sobre uma mesa com notebook

A pergunta costuma chegar assim, direta: quanto custa um aplicativo? E a resposta honesta começa com outra pergunta: que aplicativo? Um app que mostra o cardápio de um restaurante e um app com pagamento, chat e rastreio do pedido em tempo real cabem no mesmo celular, mas são projetos de tamanhos completamente diferentes.

Por isso este texto não traz uma tabela de preço que serviria para ninguém. Ele mostra o que de fato compõe o valor de um aplicativo, os custos que aparecem depois que ele vai para a loja e como pedir um orçamento que dê para comparar com outro.

O primeiro divisor: que tipo de aplicativo

Antes de qualquer funcionalidade, a escolha da tecnologia já muda o tamanho do projeto.

Aplicativo web (PWA)

Abre no navegador e pode ser instalado na tela inicial do celular, sem passar pela App Store ou pelo Google Play. Um único código atende Android, iPhone e computador. A limitação está no acesso a alguns recursos do aparelho, mais restrito no iPhone. Para validar uma ideia ou atender um público que já está no site da empresa, costuma ser o caminho mais econômico.

Aplicativo híbrido

Um mesmo código, escrito com ferramentas como React Native ou Flutter, gera as versões de Android e iOS, e as duas vão para as lojas. É o meio-termo mais comum hoje: quase toda a experiência de um app nativo, com uma base de código só para manter.

Aplicativo nativo

Cada plataforma tem o seu código, em Swift para iPhone e Kotlin para Android. Entrega o melhor desempenho e acesso completo ao aparelho, mas são dois projetos correndo em paralelo, e isso pesa no desenvolvimento e, depois, em cada atualização.

O que mais pesa no orçamento

Com o tipo definido, o valor passa a depender do que o aplicativo precisa fazer. Alguns itens aumentam bastante o escopo:

  • Cadastro, login e perfis. Um app com cliente, entregador e administrador são, na prática, três experiências diferentes dentro do mesmo produto.
  • Pagamento dentro do app. Envolve integração com um meio de pagamento, regras de estorno e cuidados de segurança.
  • Localização em tempo real, mapas e cálculo de rota.
  • Chat e notificações, que exigem um servidor sempre ativo para entregar mensagens.
  • Integração com outros sistemas, como o ERP, o CRM ou o estoque que a empresa já usa.

O item que mais surpreende quem orça pela primeira vez é o painel administrativo. O cliente enxerga o aplicativo; a empresa precisa de um lugar para cadastrar produtos, aprovar pedidos, responder mensagens e tirar relatórios. Esse painel é um sistema à parte e precisa aparecer no escopo, senão vira surpresa no meio do projeto.

Somam-se ainda o design das telas, feito e aprovado antes do desenvolvimento, e o back-end: o servidor e o banco de dados onde ficam as informações que o app mostra e grava.

Custos que continuam depois da publicação

Lançar o aplicativo não encerra a conta. Alguns custos são fixos e conhecidos; outros acompanham o uso.

  • Conta de desenvolvedor da Apple: o programa de desenvolvedores cobra uma anuidade de US$ 99 para publicar na App Store.
  • Conta no Google Play: taxa única de US$ 25 para abrir a conta de desenvolvedor.
  • Comissão das lojas: quando o app vende conteúdo ou serviço digital dentro dele, como assinatura, Apple e Google ficam com uma parte da venda, que pode chegar a 30%, com taxa reduzida de 15% em programas para pequenos desenvolvedores. Venda de produto físico ou serviço prestado fora do app, como um pedido de comida, segue outra regra.
  • Servidor e banco de dados, que custam mais conforme cresce o número de usuários.
  • Manutenção: Android e iOS lançam versões novas todo ano, e o aplicativo precisa de ajustes para continuar funcionando e aceito nas lojas.

As condições das lojas mudam de tempos em tempos; vale conferir os valores atuais nos sites da Apple e do Google antes de fechar a conta.

Por que dois orçamentos para o mesmo app variam tanto

Porque quase nunca descrevem o mesmo projeto. Um inclui o painel administrativo, o design e a publicação nas lojas; o outro cobre só as telas do aplicativo. Um é preço fechado; o outro, valor por hora estimada. Para comparar de verdade, peça que cada proposta responda:

  • Quais telas e funcionalidades estão incluídas, em lista.
  • Para quais plataformas: só Android, só iPhone, ambos ou web.
  • Se o painel administrativo faz parte.
  • Em nome de quem ficam as contas das lojas e o código. O ideal é que fiquem no nome da sua empresa.
  • O que acontece depois da entrega: suporte, correções e atualizações.

Como gastar menos sem fazer um app ruim

O jeito mais seguro de reduzir o investimento é diminuir o escopo da primeira versão, não a qualidade. Lançar um MVP, o produto mínimo viável, com a função principal bem feita, permite descobrir o que os usuários realmente usam antes de pagar pelo resto. Começar por uma plataforma, ou por um PWA, também ajuda. E serviços prontos de pagamento, login com Google e mapas evitam construir do zero o que já existe.

Aplicativo ou sistema web?

Nem toda ideia precisa ir para a loja de aplicativos. Ferramentas usadas pela equipe interna, áreas do cliente e painéis de gestão costumam funcionar melhor como sistema web, acessado pelo navegador no computador e no celular, sem depender de aprovação da Apple ou do Google. A decisão entre um e outro vem antes do orçamento, e é parte do que se discute no começo de um projeto de desenvolvimento de software sob medida.

O que levar para a primeira conversa

Quanto mais claro o pedido, mais preciso o orçamento. Antes de pedir propostas, anote quem vai usar o aplicativo, as três funções sem as quais ele não faz sentido, os sistemas com que ele precisa conversar e um ou dois aplicativos que servem de referência. Com isso na mão, a conversa sai do "depende" e chega a um escopo com prazo e valor.

Perguntas frequentes

Dá para criar um aplicativo sem programar?

Dá, com plataformas sem código, e elas servem bem para protótipos e aplicativos simples. O limite aparece quando o app precisa de desempenho, de regras próprias do negócio ou de integrações que a plataforma não oferece. Também é preciso aceitar a dependência: o aplicativo vive dentro daquela ferramenta e segue as regras e os preços dela.

Quanto tempo leva para criar um aplicativo?

Depende do escopo. Um aplicativo com poucas telas e sem integrações pode ficar pronto em algumas semanas; um com pagamento, vários perfis de usuário e conexão com outros sistemas leva meses. O prazo só faz sentido depois que a lista de funções está fechada.

Preciso publicar no Android e no iPhone ao mesmo tempo?

Não necessariamente. Veja qual sistema o seu público mais usa e comece por ele, ou comece por um aplicativo web que funciona nos dois sem passar pelas lojas.

O código do aplicativo fica com quem?

Depende do contrato, e por isso vale perguntar antes. O mais seguro é que o código e as contas das lojas fiquem no nome da sua empresa, para que você possa trocar de fornecedor sem perder o aplicativo.

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